Novo relatório da CGU mostra que um pregão eletrônico custa, em média, R$ 66,3 mil, enquanto uma dispensa de licitação custa R$ 12,8 mil. Entenda o impacto para a gestão pública.
Introdução
Você já parou para pensar quanto custa à Administração Pública realizar uma licitação? Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou um dado surpreendente: um pregão eletrônico custa, em média, R$ 66,3 mil, enquanto uma dispensa de licitação em razão do valor custa R$ 12,8 mil. Isso significa que o pregão custa mais de 5 vezes o valor de uma dispensa.
Estamos falando dos custos administrativos envolvidos na contratação, e não do preço pago pelo bem ou serviço adquirido. A diferença é expressiva e levanta uma reflexão importante sobre a escolha do rito adequado para cada contratação.
Neste artigo, você vai entender o que o relatório da CGU revelou, quais são os principais custos envolvidos e como isso impacta a gestão de contratos públicos.
O que o relatório da CGU revelou
O Relatório de Consultoria nº 2028007, publicado pela CGU em setembro de 2026, analisou os custos administrativos das contratações públicas realizadas no exercício de 2025. Os números chamam atenção pela magnitude da diferença entre os ritos.
Principais achados:
- Pregão eletrônico: custo médio de R$ 66,3 mil por procedimento.
- Dispensa de licitação em razão do valor: custo médio de R$ 12,8 mil.
- Diferença: o pregão custa mais de 5 vezes o valor de uma dispensa.
Esses valores representam o custo administrativo do processo, incluindo pessoal, estrutura, tempo e recursos envolvidos na condução da contratação. Não incluem o preço pago pelo bem ou serviço adquirido.
Onde está concentrado o custo
Um dos dados mais relevantes do relatório é a concentração do custo do pregão na fase de planejamento. Segundo a CGU, 88,6% do custo do pregão está concentrado na fase de planejamento.
Isso significa que:
- A elaboração do Estudo Técnico Preliminar (ETP).
- A construção do Termo de Referência (TR).
- A definição da matriz de riscos.
- A pesquisa de preços e a modelagem da contratação.
Essas etapas, embora essenciais para a qualidade da contratação, consomem a maior parte dos recursos administrativos. A questão que se coloca é: como equilibrar a necessidade de planejamento com a eficiência do processo?
Dispensas eletrônicas: um alerta
O relatório também revelou um dado preocupante sobre as dispensas eletrônicas com disputa. Em 70,5% dos casos, o valor contratado foi inferior ao custo estimado do próprio procedimento.
Isso significa que:
- A Administração gastou mais para contratar do que o valor do contrato.
- O custo administrativo superou o benefício econômico da contratação.
- Há espaço para racionalização e revisão de critérios.
Esse cenário levanta uma pergunta importante: de que adianta economizar na compra se o procedimento utilizado consome recursos desproporcionais ao benefício obtido?
O impacto financeiro para a Administração
Em 2025, o processamento de 19.598 pregões representou um custo estimado de R$ 1,3 bilhão para a Administração federal. Esse número é expressivo e mostra a dimensão do problema.
Além disso, a CGU identificou oportunidades de racionalização que podem representar entre R$ 542 milhões e R$ 927 milhões anuais em capacidade administrativa. Isso significa que há espaço para otimizar processos e liberar recursos para outras prioridades.
O dado mais impactante: 2.869 pregões de 2025 poderiam ter sido dispensas, segundo a análise da CGU. Isso representa uma oportunidade significativa de economia e eficiência.
A busca pela proposta mais vantajosa
A busca pela proposta mais vantajosa não pode desconsiderar os custos da própria contratação. Isso não significa abandonar procedimentos ou controles necessários, mas reconhecer que a escolha do rito deve considerar a natureza do objeto, seu valor, sua complexidade e os riscos envolvidos.
Na prática, isso significa que:
- Nem toda contratação precisa de pregão.
- Dispensas podem ser mais adequadas para objetos de baixo valor.
- O planejamento deve considerar o custo-benefício do rito escolhido.
- A eficiência administrativa é tão importante quanto a economicidade da compra.
Você já avaliou se o rito escolhido para suas contratações é o mais adequado?
O que isso significa para gestores
Para gestores públicos, esses dados trazem um alerta importante sobre a necessidade de revisar critérios de escolha do rito de contratação. A escolha do pregão por padrão, sem avaliar o custo-benefício, pode estar consumindo recursos desproporcionais.
Medidas práticas para gestores:
- Avaliar o custo administrativo versus o valor do contrato.
- Considerar dispensa eletrônica para objetos de baixo valor.
- Otimizar o planejamento para reduzir custos sem perder qualidade.
- Revisar processos internos e eliminar etapas desnecessárias.
- Capacitar equipes sobre escolha adequada do rito.
A eficiência administrativa não é apenas uma questão de custo, mas de qualidade da gestão pública.
O que isso significa para fornecedores
Para fornecedores, esses dados também trazem reflexões importantes. A escolha do rito afeta o tempo de contratação, a complexidade do edital e as exigências de habilitação.
Impactos para fornecedores:
- Pregões tendem a ter editais mais complexos e exigentes.
- Dispensas podem ser mais ágeis, mas com menos concorrência.
- O custo administrativo pode impactar o preço final ofertado.
- A escolha do rito afeta a estratégia de participação.
Entender esses dinâmicas ajuda fornecedores a se posicionarem melhor e a escolherem quais licitações participar.
FAQ
Quanto custa um pregão eletrônico para a Administração?
Em média, R$ 66,3 mil por procedimento, segundo o relatório da CGU de 2026.
Quanto custa uma dispensa de licitação?
Em média, R$ 12,8 mil, cerca de 5 vezes menos que um pregão eletrônico.
Onde está concentrado o custo do pregão?
88,6% do custo está na fase de planejamento, incluindo ETP, TR e matriz de riscos.
Em quantas dispensas o custo superou o valor contratado?
Em 70,5% das dispensas eletrônicas com disputa, o valor contratado foi inferior ao custo do procedimento.
Quanto a CGU estima que pode ser economizado?
Entre R$ 542 milhões e R$ 927 milhões anuais em capacidade administrativa, segundo as oportunidades de racionalização identificadas.
Conclusão
O relatório da CGU traz um alerta importante para a gestão pública: a busca pela proposta mais vantajosa não pode desconsiderar os custos da própria contratação. Com pregões custando mais de 5 vezes o valor de dispensas, há espaço para racionalização e revisão de critérios.
Isso não significa abandonar procedimentos ou controles necessários, mas reconhecer que a escolha do rito deve considerar a natureza do objeto, seu valor, sua complexidade e os riscos envolvidos. Afinal, de que adianta economizar na compra se o procedimento utilizado consome recursos desproporcionais ao benefício obtido?
📲 Compartilhe este conteúdo com quem trabalha com licitações e contratos!
Fontes e Referências
- CGU, Relatório de Consultoria nº 2028007, publicado em setembro de 2026. Dados referentes ao exercício de 2025.
- Controladoria-Geral da União (CGU), Portal Gov.br.
- Lei nº 14.133/2021 – Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos.



